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Erguendo-se num monte rochoso com cerca de 615 m de altitude, o
Castelo de Belmonte, situado no Largo do Castelo, este edifício levanta ainda algumas dúvidas no que diz
respeito à data da sua construção. Esta construção é famosa
por ter sido residência da família dos Cabrais, tendo sido o lar
do famoso navegador Pedro Álvares Cabral e integra uma invulgar
variedade de estilos arquitectónica, tendo traços românicos,
góticos, manuelinos e setecentistas. Junto ao Castelo, situam-se a Igreja
de Santiago,
a Capela de Santo António e a Capela do Calvário.
História
Construído provavelmente no Séc XII a mando de D.Sancho I para
defesa da povoação a quem o mesmo rei havia concedido carta de
foral em 1199, a existência de evidências arqueológicas confirma
a existência da fortificação a partir de finais desse século e
princípios do Séc XIII.
O castelo terá sido no entanto reedificado por
Egas Fafes, bispo de Coimbra, a mando de D. Afonso III em 1258 sendo
que quer o castelo, quer a torre de menagem, apenas terão sido
concluídos já no reinado de D.Dinis tendo entretanto perdido
importância estratégica com a assinatura do Tratado de Alcanizes
em 1297 e consequente avanço da fronteira para Este.
Em 1392, o Bispado de Coimbra acede a permuta da vila de Belmonte e
couto de S.Romão pela vila de Arganil, passando o castelo a ser
pertença de Antão Martim Vasques da Cunha embora por pouco tempo,
pois acabaria por reverter para a coroa tendo sido então atribuída
a alcaiadaria a Luís Álvares Cabral.
Entre finais do Séc XIV e princípios do Séc XV, possivelmente
devido a um confronto com tropas de Castela, o castelo foi
parcialmente destruído por um incêndio, como o atestam os
sedimentos de cinza postos à luz durante as escavações.
Em 1466 dá-se mais um importante episódio na história desta
fortaleza, com a doação da vila e castelo por D. Afonso V a
Fernão Cabral, tendo sido transferida a residência da família
Cabral para o interior do castelo. Mais tarde, já no Séc XVI, é
aí edificado o Solar dos Cabrais, havendo ainda registos de obras
junto à porta principal do castelo nos Séc XVII e XVIII. A partir
daí o castelo entra em decadência deixando de ser residência
senhorial e é progressivamente abandonado, tendo em meados do Séc
XVIII tido a pouco nobre função de celeiro
Actualmente, o edifício tem funções turísticas e culturais, tendo para esse
efeito sido construído um anfiteatro no interior do castelo,
aterrando-se para esse efeito as fundações de alguns
compartimentos do edifício manuelino.
Descrição
Possui um traçado ovalado irregular e torre de menagem de planta
quadrada adossada pelo exterior, com 3 pisos, tendo esta portas a
nível dos 1º e 2º pisos. Já no interior, a característica mais
notória é o edifício civil manuelino semi-destruído de 2 pisos,
edifício que constituía o Solar dos Cabrais.
Apresenta ainda vestígios de um baluarte junto à porta Norte. O
acesso ao Castelo é feito através de uma entrada em cotovelo. No
pano da muralha, além de várias seteiras destaca-se a famosa
janela manuelina.
Bibliografia
LEAL, Pinho, Portugal
Antigo e Moderno, Lisboa, 1873; BEÇA, Humberto, Castelos de
Portugal, os Castelos da Beira Histórica, Porto, 1922; ALMEIDA, João
de, Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses, Lisboa, 1948;
PERES, Damião, A Gloriosa História dos Mais Belos Castelos de
Portugal, Porto, 1969; SALVADO, António, Elementos para um Inventário
Artístico do Distrito de Castelo Branco, Castelo Branco, 1976;
ALMEIDA, José António Ferreira de, dir., Tesouros Artísticos de
Portugal, Lisboa, 1980; DIONÍSIO, Sant'Ana, Guia de Portugal,
Lisboa, 1984; GIL, Júlio; CABRITA, Augusto, Os Mais Belos Castelos
de Portugal, Lisboa, 1986; TAVARES, Joaquim Cardoso; MARQUES,
Manuel, Subsídios para uma Monografia da Vila de Belmonte,
Belmonte, s.d..
Monumento
Nacional por Dec.nº 14 425 DG 136 de 15 Outubro 1927 e afecto ao
IPPAR desde 1 de Junho de 1992 (DL 106F). ZEP, DG 179 de 3 de
Agosto de 1966
Nº IPA :
0501010003
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