ArqueoBeira - Recursos arqueológicos da Beira Interior. Roteiro Arqueológico  

Centum Cellas
 

    Centum Cellas, é a deturpação popular do termo latino Centum Cellae que se pode traduzir por "100 divisões" e que atesta da outrora imponência desta villa romana do Séc. I. Para termos uma ideia da sua grandiosidade, basta dizer que a área escavada da villa, se refere apenas à parte residencial. As restantes partes, como os celeiros, armazéns, estábulos, acomodações dos servos e as termas, foram já provavelmente destruídas. No que se refere às termas, a sua destruição é um dado adquirido e pode-se situar na década de 1940, quando relatos de habitantes que ali perto trabalhavam, dão conta do aparecimento de "muitos tijolos semelhantes a tijolo burro, que logo serviram para a construção de fornos de cozedura de pão".

    Durante muito tempo um local de lendas e imaginário, Centum Cellas era afinal e de acordo com uma inscrição encontrada no local, a residência de um nobre romano com grande influência e poder económico chamado Caecilius, que aqui residia com a sua família e os seus servos.Os seus rendimentos provinham, para além da normal actividade agrícola, da extracção e comercialização de estanho, comercialização essa facilitada pela proximidade da estrada que ligava Bracara Augusta (Braga) a Emérita Augusta (Mérida), a capital da Lusitânia Romana.

    Parcialmente destruída por um incêndio durante o Séc. III,o edifício teve de ser readaptado, embora continuasse a ser usado como residência. Só com o fim do domínio romano na Península Ibérica, em finais do Séc. IV é que Centum Cellas deixa de ser uma residência, tendo no entanto continuado a ser utilizado para outros fins pela população local.Durante o Séc. X ou XI, foi edificada nos limites da zona actualmente escavada, uma pequena capela junto à qual se cavaram algumas sepulturas.

    Centum Cellas aparece depois como "Centocelas" em documentos a partir do Séc XII como sendo uma povoação cedida à Sé de Coimbra por D.Sancho I, tendo-lhe sido concedido foral em 1194 ou 1188 como sugerem alguns autores. Este foral apenas vigorou até 1199 pois D.Sancho I após acordo com o bispo de Coimbra, D.Pedro, o revogou, atribuindo foral à vizinha vila de Belmonte, por razões estratégicas. A este novo foral foram dados os limites estabelecidos para o foral de Centocelas.

    Sendo progressivamente abandonado e a excelente pedra utilizada na sua construção, reaproveitada para outros fins, a antiga Villa foi a pouco e pouco perdendo a sua imponência, restando actualmente de pé apenas o seu núcleo que por coincidência é semelhante a uma torre.

Monumento Nacional por Dec.nº 14 425 DG 136 de 15 Outubro 1927 e afecto ao IPPAR desde 1 de Junho de 1992

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