|
Este
conjunto arquitectónico formado pela Casa
da Torre,
vestígios de fortificações e cisterna, existentes na cerca,
Capela do Calvário, Igreja Paroquial e Solar Quevedo Pessanha
formam o núcleo antigo de Caria e localizam-se no Largo do Reduto,
Largo de Santo António e Rua da Igreja.
A Casa
da Torre, os
vestígios da fortificação e cisterna formam um conjunto que se
destaca na cota mais elevada da povoação, situada entre a Ribeira
de Caria ou de S. Sebastião e a Ribeira de Santana. Ainda na
proximidade existem vestígios do que terá sido o Castro de Caria.
A Capela do Calvário está adossada a um troço de muralha
integrada na cerca, e possui um Passo da Via Sacra contíguo. A
Igreja Matriz situa-se isolada, mas na proximidade da anterior e do
cemitério. O Solar Quevedo Pessanha situa-se a meia encosta,
isolado e cercado por muros.
História
A história da vila de Caria terá começado na época romana,
aquando da hipotética construção nesta fase da Cidadela da Casa
da Torre e da
construção de duas pontes. Refira-se que Caria e a Casa
da Torre constituíam
um cruzamento de vias romanas: a via Mérida - Idanha - Braga e a
via Covilhã - Vale do Lobo. Aqui existiria uma mutatio,
sendo que a Casa
da Torre
poderia, segundo Aurélio Ricardo Belo, ter sido uma mansio, e
segundo outros uma villa.
Após a invasão árabe, da qual o topónimo "Caria" é a
herança mais evidente, e já em plena época medieval, o castelo
senhorial e respectiva cerca terão sido reconstruídos. Em 1320
surge a referência à Igreja de Santa Maria de Caria e em 1360 a
Torre é adaptada a residência dos Bispos da Guarda, isto já no
tempo de D. Martinho Pais, tendo sido mestre Afonso Peres. A obra
foi delineada por Frei Martinho de Alcobaça (facto atestado por
inscrição na parede junto à porta em arco quebrado).
Em 1512, D. Manuel concede carta de foral a Caria ao mesmo tempo que
se estruturou a Rua Direita e terá sido ainda no Séc. XVI que se
construiu a Igreja Matriz dedicada a Nossa Senhora da Conceição.
É provável que em 1644 tenha sido construído um reduto no local
da antiga cidadela (Casa
da Torre) e
ainda o Solar Quevedo Pessanha.
Já no Séc. XVIII, em 1710 a Igreja Matriz foi remodelada e em 1767
a Capela do Calvário terá sido, se não construída, pelo menos
também remodelada. Mais tarde, em 1792 a Casa
da Torre
sofria por sua vez obras de renovação.
Ainda nos finais do Séc. XIX, a Casa
da Torre
funcionava ainda como casa de campo dos Bispos da Guarda que
apresentavam o priorado de Caria.
Descrição
Estamos em presença de um conjunto formado por uma casa
medieval, uma fortaleza moderna, uma igreja renascentista uma capela
classicista e popular e um solar barroco. A casa possui uma planta
em L irregular com cobertura a 4 águas e porta em arco quebrado. No
seu segundo registo apresenta uma porta central com uma curiosa
inscrição no lintel: "Mille Dolis victis domus / est haeC Condita quando / X
indiCat et major / lIttera quaeque tibI" contendo decifração
enigmática da data MDCCXCII" ( M. Marques ).
Existem vestígios de
fortaleza de planta trapezoidal com três baluartes em cantaria e
cisterna no interior do recinto. A igreja é de planta longitudinal
composta, com portal em arco pleno ladeado por pilastras molduradas,
com três naves quase à mesma altura, com quatro tramos. Possui arcos
formeiros de volta inteira sustentados por pilares toscanos e
cobertura única em madeira. Os retábulos são de talha dourada, do estilo
nacional. A capela possui uma planta longitudinal simples, com exonártex
alpendrado, assente em pilares quadrados e socos almofadados, com
portal em arco pleno e cobertura interna de madeira, em masseira.
Finalmente o solar possui uma planta em L irregular com capela adossada, cobertura a
quatro águas e dois pisos. O seu portal e janelas do piso nobre
são em arco
abatido com frontão curvo interrompido com concheado central.
Bibliografia
LEAL, Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, 1873; PROENÇA JÚNIOR,
Francisco Tavares, Archeologia do Distrito de Castelo Branco - 1ª
Contribuição para o seu Estudo, Leiria, 1910; VEIGA, Duarte,
Castelos e Monumentos Militares das Beiras in Boletim da Casa das
Beiras, Lisboa, 1939 (nº 11 - 12, ano V, II série) e 1940 (nº
15); ALMEIDA, João de, Roteiro dos Monumentos Militares
Portugueses, Lisboa, 1948; REIS, António dos, Vila de Caria, Covilhã,
1959; BELO, Aurélio Ricardo, Dois Marcos Miliários Inéditos do
Troço Centum Cellae - Valhelhas da Via Militar Romana Mérida -
Viseu - Braga in Arqueologia e História, Lisboa, 1964, vol. XI;
AZEVEDO, Correia de, Terras com Foral ou Pelourinhos das Províncias
do Minho, Trás-Os-Montes e Beiras, Porto, 1967; SALVADO, António,
Elementos para um Inventário Artístico do Distrito de Castelo
Branco, Castelo Branco, 1976; ALMEIDA, José António Ferreira de,
dir., Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1980; DIONÍSIO,
Sant'Ana, Guia de Portugal, Lisboa, 1984; BASTOS, Carlos Pinto,
Caria e a Casa da Torre in Jornal de Belmonte, 1985, nº 18;
TAVARES, Joaquim Cardoso e MARQUES, Manuel, Subsídios para uma
Monografia da Vila de Belmonte, Belmonte, s.d..
IIP,
Desp. Agosto 1990
Nº IPA : 0501020006
Para
saber mais...
|
|