ArqueoBeira - Recursos arqueológicos da Beira Interior. Roteiro Arqueológico  

Convento de Nossa Senhora da Boa Esperança/ Convento de Nossa Senhora da Esperança
 

    Situado a meio da encosta da Serra da Esperança a 725m de altitude, acessível a partir do caminho de Santo Antão, a 2km a SO de Belmonte, fica situado na Quinta da Chandeirinha, junto à qual há registos de ruínas castrejas da Idade do Bronze. Junto a este Convento, destacam-se um loureiro e um carvalho  centenários. Foi recentemente readaptado e é actualmente o local da Pousada de Belmonte.

História

    O Convento terá tido a sua origem entre 1240 e 1260 quando Gil Álvares Cabral e a sua mulher, Maria Gil Cabral, fundaram e dotaram uma capela e eremitério no local, embora esta explicação seja ainda controversa e se relacione também com a fundação da Igreja de Santiago. Mas o Convento propriamente dito só viria a ser fundado neste local, já em 12 de Novembro de 1563 por iniciativa de Jorge Cabral (capitão de Mar e Guerra e Governador da Índia) e destinado à Ordem Terceira Regular de S. Francisco ou aos Frades Menores de S. Francisco da Covilhã. Na mesma altura foi reedificada a Igreja. 

    Uma lenda curiosa relacionada com este Convento é situada no ano de 1500 e reza que a imagem de Nossa Senhora da Esperança (actualmente na Igreja Matriz de Belmonte) que aqui esteve durante largo período de tempo, terá acompanhado Pedro Álvares Cabral na sua viagem ao Brasil. Esta lenda é contudo refutada por muitos sectores. Por exemplo, o historiador José Hermano Saraiva afirma que esta imagem é posterior ao ano 1500 situando-a mesmo como tendo origem na 2ª metade do Séc. XVI.

    Em 1585 foram aprovados os estatutos da Ordem Terceira dos Regulares de Portugal neste Convento, tendo-se para o efeito aqui realizado a reunião do Capítulo da Província. 2 anos mais tarde, o local foi visitado por Frei Guilherme da Paixão, Abade de Alcobaça, sendo que na altura o Convento contava com 15 frades.

    Não se sabe ao certo quando terá começado o declínio do Convento, mas sabe-se por exemplo que nas memórias paroquiais de 1758, é referida a ausência de padroeiro do Convento e que em 1831 este se encontrava já em estado de ruína. Finalmente, em 1834, o Convento é extinto, provavelmente vendido em hasta pública, e os seus objectos de culto integrados na Igreja Matriz de Belmonte. Na mesma altura é construído um curral anexo à Igreja do Convento. Viria em 1836 a ser adquirido pelo Conde de Caria.

    Em 1981, começa-se a pensar na recuperação do Convento, tendo sido efectuado um estudo preliminar do Parque de Recreio da Quinta do Convento mas que no entanto não viria a ser executado. Em 1992 a Arquitraço, Arquitecturas Lda, leva a cabo o projecto de adaptação do Convento a estalagem. A transformação do espaço em pousada iniciou-se em 1999 e terminou em 2001. Pode-se admirar aqui no espaço museológico o espólio das escavações de 1996 nas quais foram encontradas peças de cerâmica, imagens, moedas e medalhas.

Descrição

    É um conjunto totalmente arruinado formado pelas ruínas da igreja, claustro e dependências conventuais de características arquitectónicas relacionadas com o tipo de construção rural beirã, conjugadas com elementos pontuais de feição manuelina, renascentista e classicista. As dependências conventuais têm dois pisos.

Bibliografia

    COSTA, António Carvalho da, Corographia Portugueza, Lisboa, 1706 / 1712; SANTA MARIA, Frei Agostinho de, Santuário Mariano, Lisboa, 1711 ; ALMEIDA, João de, Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses, Lisboa, 1948; BIGOTTE, J. Quelhas, o Culto de Nossa Senhora na Diocese da Guarda, Guarda, 1948; SALVADO, António, Elementos para um Inventário Artístico do Distrito de Castelo Branco, Castelo Branco, 1976; GOMES, J. Pinharanda, Memória Histórica do Convento de Nª Sª da Esperança de Belmonte, in Revista Independência, 1983, nº 1; TAVARES, Joaquim Cardoso; MARQUES, Manuel, Subsídios para uma Monografia da Vila de Belmonte, Belmonte, s.d..

 

IIP, Dec. nº 1/86, DR 2 de 03 de Janeiro 1986
Nº IPA : 0501010005

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