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Conjunto situado no Largo do Castelo
a meia encosta entre o tecido urbano e a zona do Castelo.
O adro está delimitado por murete sendo o acesso a este feito por
meio de uma escadaria. Ao lado existe isoladamente uma torre
sineira.
História
A Igreja terá sido construída por ordem de Maria Gil Cabral,
esposa de Gil Álvares Cabral em 1240 (tal como no caso do Convento
de Nossa Senhora da Boa Esperança, este facto é ainda
controverso). Também é apontado como hipótese para data de
construção o ano de 1362, embora muitos defendam que nesta data
terá sido apenas construída a Capela de Nossa Senhora da Piedade
por ordem de Maria Gil Cabral, filha ou irmã de Gil Cabral (bispo
da Guarda) que lhe teria legado bens para esse fim.
Em 1397 é criado o morgadio a favor de Luís Álvares Cabral,
sobrinho da provável fundadora e alcaide de Belmonte e em 1433
dá-se a edificação da Capela dos Cabrais.
Aponta-se uma hipotética intervenção na Capela de Nossa Senhora
da Piedade em meados do Séc. XV atendendo aos elementos heráldicos
visíveis no local. Concretamente, um dos escudos integrados na
decoração dos capitéis, parece apresentar 5 besantes, elementos
que não constam nas armas dos Cabrais antes do casamento de Fernão
Cabral com Isabel de Gouveia. Ainda no aparelho murário exterior,
surgem integrados silhares que podem ter pertencido a cabeceiras de
sepulturas medievais.
Em 1630, a Capela dos Cabrais é remodelada por iniciativa de
Francisco Cabral onde terá ocorrido uma remodelação da fachada,
construção do coro-alto e eventualmente um repinte dos frescos.
Esta intervenção esta documentada por inscrição na fachada:
"ESTA CAPELA MANDOV FAZER / FRANCISCO CABRAL (...) / (...) / NO
ANNO DE 1630". Ainda no âmbito desta intervenção, foram para
aqui trasladados os restos mortais de Fernão Cabral e Nuno
Fernandez Cabral, senhores da casa de Belmonte. Esse facto também
está atestado por uma inscrição: "A ESTE TVMOLO, FORÍO TRES /
LADADOS,
FERNÍO CABRAL / O 3º E NVNO FERNANDEZ CABRAL / O 2º SENHORES DA
CASA / DE BELMONTE POR FRANCISCO CABRAL / ANO D - 1630..".
Em 1971, foi colocada na Capela dos Cabrais a arca tumular do filho
ilustre da terra, Pedro Álvares Cabral, contendo as suas cinzas.
Posteriormente, em 1780 foi feito o arranjo do adro e em 1860 foi
construída a torre sineira. Só em 1940 se faria a transferência
da sede paroquial para a Igreja da Sagrada Família.
Descrição
Trata-se de um exemplo de arquitectura religiosa, românica e
gótica, sendo que a.Igreja contém capela com elementos maneiristas. O edifício é de
planta longitudinal composta, com nave, a capela-mor possui planta
rectangular, e a capela anexa tem orientação paralela à nave enquanto
que a sacristia possui planta quadrangular. Isoladamente
existe uma torre sineira do Séc. XIX. As portas são em
arco quebrado e as frestas em arco pleno, decoradas por esferas. Remate
em empena e cornija decorada por esferas, e cachorrada decorada com
motivos geométricos, zoomórficos e antropomórficos. Arco interior
e arcossólios com decoração flamejante. A capela lateral possui arcos
quebrados e abóbada de cruzaria de ogivas. As portais principais
são de lintel recto, encimado por nicho ou frontão curvo. O coro-alto
é sustentado por colunas toscanas. Existe um arcossólio em arco pleno
delimitado por pilastras toscanas, com volutas estilizadas e com
almofadados nas cantoneiras, rematado por frontão angular
interrompido.
De salientar o adossamento do panteão familiar dos Cabrais, cujo
volume é equivalente à nave da Igreja, tendo as fachadas sido
alteradas no Séc. XVII. O púlpito é encimado por um baldaquino
em cantaria. Existem no interior vestígios de pintura a fresco revelando duas épocas
diferenciadas. Capela de Nossa Senhora da Piedade, de características
góticas, está integrada num ângulo da nave e com altura inferior a
esta e conserva uma Pietá em granito policromado da época gótica.
Bibliografia
LEAL, Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, 1873; SALVADO, António,
Elementos para um Inventário Artístico do Distrito de Castelo
Branco, Castelo Branco, 1976; ALMEIDA, José António Ferreira de, (
dir. ), Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1980; DIONÍSIO,
Sant'Ana, Guia de Portugal, Lisboa, 1984; GIL, Júlio; CABRITA,
Augusto, As Mais Belas Igrejas de Portugal, Lisboa, 1988; TAVARES,
Joaquim Cardoso; MARQUES, Manuel, Subsídios para uma Monografia da
Vila de Belmonte, Belmonte, s.d..
MN,
Dec. nº 14 425 DG 136 de 15 Outubro 1927; ZEP, DG 167 de 19 de
Julho 1960;
Dec. nº 129/77 DG 226 de 29 Setembro 1977
Nº IPA : 0501010001
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