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Inscrição romana de Sarzedas
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Esta inscrição em xisto e com dimensões que hoje são desconhecidas, foi descoberta perto do ano de 1880 quando se lavrava um olival junto da igreja matriz da aldeia de Sarzedas.

O pároco da aldeia, o Padre Manuel António da Silva avançou então com a seguinte interpretação da inscrição:

VERATIA VERATI FILIA REEDIFICAVIT HOC OPPIDVM SARZEDENSAE ET CONCESSIT EI PREVILEGIVM CIVITATIS

Esta inscrição quereria pois dizer: "Viriata, filha de Viriato, reedificou este castelo de Sarzedas e concedeu-lhe o privilégio de cidade". Assim sendo, a origem de Sarzedas remontaria ao tempo dos lusitanos, sendo a sua fundadora nada mais nada menos que uma filha do próprio Viriato.

Entretanto a pedra desapareceu, tendo sido partida e os seus pedaços tendo tomado parte na construção de um forno de cozer pão.

Entretanto, após bastante debate que esta inscrição motivou, Leite de Vasconcelos já em 1910 em publicação no XV volume de "O Archeologo Português" considerou que o texto era autêntico, embora tenha sido mal interpretado pelo desdobramento de siglas que na verdade não o eram.

Em 1982 na publicação "A propósito das inscrições de Sarzedas e Sertã", os Drs d'Encarnação e Leitão apresentam uma nova interpretação baseada no pressuposto de Leite de Vasconcelos, partindo do princípio de que se trataria de uma inscrição funerária.

Segundo estes, a identificação da defunta teria sido bem lida: VERATIA VERATI(i) F(ilia). Acontece que o Padre Manuel da Silva terá interpretado mal as siglas H.S.E. que não quereriam dizer H(oc oppidum) S(arzedensae) E(t) mas sim H(ic) S(ita) E(st). Já a fórmula final P(rivilegium) C(ivitatis) deveria ter silo lida como P(onendum) C(uravit). Finalmente, considerando que a identificação do dedicante da inscrição teria sido confundida com (concessi)T EI, e considerando que o do "R" o Padre Manuel da Silva só teria visto a haste vertical confundindo-o por isso com um "I", esta parte deveria ter sido lida como MATER ou PATER em vez do nome do dedicante. Assim, não estaria gravado o nome do dedicante mas simplesmente o seu parentesco com a defunta.

Concluindo, a leitura correcta da inscrição seria:

VERATIA VERATI(i) F(ilia)
H(ic) S(ita) E(st)
[MA vel PA]TER.P(onendum).C(uravit)

Esta inscrição poderá assim ser traduzida como: "Aqui jaz Verácia, filha de Verácio. A/O mãe/pai mandou colocar (esta memória)".

Pelo formulário que assim é apresentado, esta inscrição é indubitavelmente romana e pertencerá ao Séc. I.

 

 Bibliografia

    ENCARNAÇÃO, José d' e LEITÃO, Manuel - A propósito das inscrições de Sarzedas e Sertã, Conímbriga XXI pág 127 e 133, Coimbra 1982

Os nossos agradecimentos ao Dr Manuel Leitão pelas informações fornecidas