ArqueoBeira - Recursos arqueológicos da Beira Interior. Roteiro Arqueológico  

Jardim do Paço
 

    O Jardim anexo ao antigo Paço Episcopal foi mandado construir em 1725 pelo Bispo da Guarda, D. João de Mendonça. Este Jardim em diversos planos, com seus lagos, cascatas, repuxos, escadarias e estatuária, estão datados numa peanha da estátua do Precursor e na cascata chamada de Moisés ( 1726), edificada para ornamentação e irrigação, com seus aquedutos para distribuição das águas.

    Este logradouro que o Bispo D. Vicente aformoseou em 1782 "é um terreno quadrangular, com 1450 metros quadrados, dominado por balcões e varandas providas de guardas de barras de ferro com elegantes e espaçados balaústres de cantaria. No seu quadrilongo principal há cinco lagos com bordaduras de cantaria em curvas caprichosas e vistosos jogos de água;

    Canteiros de buxo com graciosos desenhos onde predominam as volutas; buxos recortados, de grande porte, com formas paralelipipédicas que outrora eram curvilíneas, e uma profusão de estátuas talhadas no granito regional e dispersas pelos canteiros. È notável o lago grande, com 34 metros de comprimento, 11.50 m de largura e 4 metros de profundidade, situado num socalco elevado acima do plano dos canteiros e que era outrora abastecido pela cascata de Moisés, com água fornecida por duas noras que existiam no olival anexo. São também dignos de nota o Jardim Alagado ou tanque floreado com curvas sinuosas e alegretes de flores intercalados, tendo no centro um repuxo de cantaria formado por três golfinhos entrelaçados e sobrepujados por uma coroa; e o Lago das Coroas, grande tanque de cantaria, situado num balcão avarandado e onde existiam três repuxos iguais aos do Jardim Alagado, donde lhe proveio o nome. Os repuxos do Lago das Coroas foram reconstituídos em 1939, por haverem desaparecido os primitivos".

    Na escadaria dos Reis vêem-se as estátuas de todos os nossos monarcas, desde o Conde D. Henrique até D. José I, com a circunstância curiosa de serem de menor tamanho as estátuas do Cardeal Rei e dos Filipes. O facto de o último Rei aqui representado ser D. José, faz-nos supor que esta galeria fosse obra do 1º Bispo de Castelo Branco, Dr. Fr. José de Jesus Maria Caetano ( 1771 – 1782 ).

    Espalhadas profusamente pelos Jardins, numerosas outras estátuas representam os Novíssimos do Homem, as virtudes Cardeais, as Virtudes Teologais, os Signos do Zodíaco, as cinco partes do Mundo, as Estações do Ano, os Evangelistas, os Doutores da Igreja, os Apóstolos, e outras alegorias mais.

    Em 1936 foi demolido o alto muro da vedação do jardim, para a antiga Corredoura ( hoje Rua de Bartolomeu da Costa) e construído um gradeamento de ferro, com uma porta férrea tudo ao gosto do Séc. XVIII.
Para dar acesso ao jardim, em plano mais elevado, foi construída uma escadaria e, junto ao muro de suporte do socalco, um lago de cantaria, alimentado pela água saindo da boca de um golfinho. 

    O recinto foi ajardinado, colocados bancos de cantaria e as paredes revestidas de azulejos, com os retratos dos bispos D. João de Mendonça e D. Vicente Ferrer da Rocha, além de paisagens e motivos regionais.
 

 

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