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Localização
A
Torre de Almofala é um puzzle até nos próprios nomes que se lhe
atribuem: Torre de Almofala, Torre das Águias, Torre dos Frades,
Casarão da Torre, Torre de Aguiar ou, como referido em documentos da
Idade Média, Turris Aquilaris.
A
torre em si, é apenas a parte mais visível de um conjunto de ruínas
que se estende a partir do cimo de um monte de inclinação suave e
pela sua vertente Sul, perto da aldeia de Almofala, sendo visível a
partir da estrada que liga esta localidade a Figueira de Castelo
Rodrigo. Trata-se de um templo romano que foi mais tarde adaptado a
torre de vigia, já na Idade Média.
Escavações
A
parte visível da Torre permite reconhecer um templo construído na
época romana, e que foi mais tarde convertido em atalaia e torre de
vigia. Desta
são ainda visíveis estruturas que foram adossadas ao primitivo
templo e que se organizam em redor de um pátio central, para o qual
convergem os vários espaços. As
construções Modernas e Contemporâneas, têm que ser enquadradas na
malha urbana da aldeia da Torre dos Frades a que se referem os
documentos medievais e modernos.
Nas
zonas a Sul e Nascente da Torre, temos já a planta de algumas casas
da aldeia da Torre dos Frades. Na
parte nascente foi localizada uma capela, a Capela da Aldeia da
Torre dos Frades, que pela tipologia do arco de entrada se pode
datar dos Sécs. XV/XVI.
As
estruturas do templo romano estão bem conservadas: na parede poente
conserva a quase totalidade da sua altura original.A
nascente foram descobertas estruturas romanas por baixo das ruínas
das casas da aldeia. Identificaram inclusive as bases da colunata de
um pórtico, bem como diversos compartimentos que para aí se abriam e
que faziam parte do Forum da cidade.
Embora ainda não totalmente escavado, o conjunto formado pelo
templo, pórtico e demais compartimentos, encontra-se perfeitamente
alinhado e está ordenado segundo um eixo de simetria com orientação
O-E que atravessa o templo de acordo com o que é habitual neste tipo
de construções romanas.
Durante as escavações foram encontrados vários fragmentos de mármore
esculpido, pregueados de vestes e uma mão esquerda segurando uma
pequena caixa de grãos de incenso, esta junto ao templo.
Trata-se da mão esquerda de uma figura feminina que poderá ter sido
uma sacerdotisa, de uma imperatriz ou de uma deusa. São conhecidos
outros casos de descoberta de mãos semelhantes e todas em locais
onde se localizaram outras Civitas e associadas aos seus
locais de culto, os fora. Trata-se de uma representação com
forte carácter religioso e, tratando-se de uma deusa, poderá ter
representado a Pietas. Esta simbolizava o sentimento familiar
que se nutria por parentes, sentimento que se estendeu depois ao
Imperador e aos deuses.
Na
Hispânia, o culto a Pietas terá sido um dos cultos com maior
expressão, sendo apenas suplantado pelo culto a Victoria.
A
construção do templo obedeceu a um modelo vitruviano de construção o
que evidencia a intervenção de pessoas com profundos conhecimentos
dos modelos urbanísticos e artísticos romanos.
História
As
mais antigas alusões à Torre de Almofala surgem em documentos
medievais relacionados com o Convento de Santa Maria de Aguiar.
Datado de 1176, existe uma carta de doação ao abade do Mosteiro de
um lugar chamado granjam Turris Aquilaris, onde existia uma
pequena povoação, que posteriormente tomou o nome de Aldeia da Torre
dos Frades. É provável que os primeiros frades se tivessem instalado
nesta aldeia, possivelmente nas ruínas do templo enquanto se
procedia à construção do Mosteiro.
Foi
descoberta durante as escavações de 1997, uma ara dedicada a Júpiter
que nos indica que aqui se situava a Civitas Cobelcorum, a
cidade dos Cobelcos, um povo que habitava esta região antes da
chegada dos romanos. Na epígrafe, extremamente bem conservada,
pode-se ler:
IOVI.OPTVMO
MAXVMO
CIVITAS
COBELCORVM
Esta
leitura pode-se traduzir por "A Júpiter Optimo Máximo, a
Cidade dos Cobelcos". Esta ara pode ser datada do Séc. I e
atesta que o culto a Júpiter seria um dos cultos oficiais da cidade
por alturas da sua fundação.
A
Civitas Cobelcorum terá sido fundada nos inícios do Séc. I e era
o centro administrativo de uma região limitada pelos rios Douro a
Norte, Águeda a Este, Côa a Oeste e por um paralelo que passaria
pela Serra da Marofa a Sul.
Fontes
ALBUQUERQUE, Elisa e FRADE, Helena; "Torre de Almofala - O passado
feito presente", Figueira de Castelo Rodrigo, 2003.
Monumento Nacional pelo Decreto Lei 129/77 de 29 de Setembro de 1977
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