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O Castro de São Brás,
situa-se no Monte de São Brás, sobranceiro à cidade de Fundão, a
812m de altitude, e encontra-se dissimulado sob frondosa vegetação
formada essencialmente por castanheiros e alguns pinheiros. Este castro foi
descoberto acidentalmente quando elementos ligados à Câmara
Municipal do Fundão procuravam vestígios da desaparecida Capela de
São Brás, no monte com o mesmo nome, sobranceiro ao Fundão.
Um registo da existência desta capela é dado pelo pároco Alexandre
Bento da Vide em 1758 quando descreve o Fundão: "Está situada em
hum valle nas raízes de hum monte, que chamam a serra de São Bras,
por no cume do mesmo estar antigamente situada huma cappella do
mesmo S[anto], o qual monte he hum braço da serra da Gardunha".
A capela desapareceu durante o bispado de D. Rodrigo de Moura Teles,
ou seja, entra 1694 e 1703.
Certo é que, embora os vestígios da capela não tenham sido
localizados, a descoberta deste castro reveste-se de uma enorme
importância. Já em 1910, José Germano da Cunha, na sua "Archeologia
do Districto de Castello Branco", referindo-se ao Fundão diz "Há
não longe d'esta villa restos importantes de um castro. De lá possuo
alguns pequenos bronzes romanos". Estaria ele a referir-se a
este castro?
Os vestígios arqueológicos que podemos encontrar no local apontam
para a existência de pelo menos uma linha de muralha bastante forte
construída em blocos de granito irregulares e xisto. No interior da
linha de muralha podem-se ver diversos derrubes de muros que
indiciam a existência de bastantes habitações, algumas das quais
terão aproveitado o afloramento rochoso para o seu paramento. Até à
data ainda não foram encontrados muitos vestígios de cerâmica, mas
os que existem apontam para uma datação proto-histórica, mais
precisamente, para o 1º milénio a.C.. Também neste castro foram
descobertas três mós.
Curiosa é a descoberta de um provável santuário rupestre que
consiste num painel rochoso no qual foram gravados alguns elementos,
popularmente conhecidos como "covinhas", que Mircea Eliade
classificou como sendo a consagração da altitude do local. Bem
verdade é que deste local se domina extensa paisagem da Cova da
Beira, podendo-se avistar o Cabeço das Fráguas e Peroviseu, locais
de assentamento de povoações que poderão ter sido contemporâneas
deste castro.
Com a chegada dos romanos, o castro terá entrado em declínio mas
ainda terá sido habitado durante algum tempo. Na encosta Sul do
monte, foram encontrados diversos vestígios de ocupação romana, que
poderá denunciar uma ocupação continuada da zona. A povoação poderá
ter descido movido pela segurança da Pax Romana, para a
planície mais fértil e mais cómoda, podendo residir aí a génese da
cidade do Fundão, já que no seu centro histórico foram encontrados
vestígios de ocupação romana.
Fontes: "Monte
de São Brás (Fundão) - A Persistência do Passado na Identidade"
no,
nº 1 dos Cadernos do Museu Arqueológico Municipal José Monteiro
Jornal do
Fundão, 25 de Julho de 2003
Diário XXI, 24 de Julho de 2003
http://ortos.igeo.pt/ortofotos/
Agradecimentos: Câmara Municipal do Fundão na pessoa do Sr. Dr. João
Rosa |


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