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Os vestígios mais antigos da presença humana no
concelho remontam à Pré-história, no entanto são da época
romana o maior número de testemunhos dessa presença.
A importância
de Belmonte no contexto da História de Portugal releva da
Idade Média
,
tendo-lhe sido concedida Carta de Foral em 1199 por D. Sancho
I, que quer " povoar e restaurar ", assegurando, desta forma,
o controlo político da região para a Coroa Portuguesa.
Simultaneamente, e uma vez que se tratava de uma zona de
fronteira com o reino de Leão, inicia-se a construção de
reduto fortificado que nos finais do séc. XIII, a pedido do
Bispo de Coimbra, a cujo senhorio pertencia, é transformado em
castelo, sendo então construída a Torre de Menagem.
No séc. XIII,
Belmonte é já uma vila em franco desenvolvimento, justificando
a existência de duas igrejas ( S. Tiago e Stª. Maria ) e uma
sinagoga. A este crescimento será travado com as Guerras
Fernandinas e a Crise de 1383 / 85, que obrigam D. João I a
conceder a Belmonte Carta de Couto, logo em 1387, a pedido do
Bispo de Coimbra que nos disse que " o seu castello de
bellmonte he muy despouado por rezam desta guerra ".
Entre 1397 e
1398, D. João nomeou o primeiro alcaide do castelo, escolhendo
Luís Álvares Cabral, que herdara em Belmonte o morgadio
instituído por sua tia Maria Gil Cabral, mas é só em 1466, que
a família Cabral se fixa definitivamente em Belmonte, aquando
da doação a título hereditário da Alcaidaria-mor do Castelo a
Fernão Cabral, membro do Conselho de D. Afonso V.
No séc. XVI
Belmonte dará de novo
um contributo importante para a história de Portugal através
de Pedro Álvares Cabral que, em 1500, comandou a 2ª. Armada à
Índia e durante a sua missão descobriu o Brasil. Refira-se
ainda a prestigiada figura de D. Jorge Cabral, que teve vários
cargos importantes durante o séc. XVI, nomeadamente o de
Governador da Índia enter 1549 e 1550.
Em 1510, D.
Manuel concede nova Carta de Foral, reconhecendo a sua
importância política e económica. Belmonte era então uma
comunidade rural, dependente da pecuária e da agricultura, com
algum comércio, que todavia terá sido prejudicado pelo Ético
de Conversão dos Judeus em 1496, e responsável pelo surgimento
de uma comunidade cripto-judaica que resistirá às perseguições
da Inquisição, até ao nosso século.
Em 1527 o
Concelho de Belmonte "...tem de termo duas léguas em longo e
uma em largura...confronta com o termo da vila da Covilhã, da
vila de Sortelha e com termo da cidade da guarda e com termo
da vila de Valhelhas."
Naquela data
o concelho tem 244 vizinhos, sendo 159 da vila de Belmonte,
número equivalente a cerca de 630 habitantes. Note-se que na
comarca de Castelo Branco, Belmonte tinha então a segunda
maior densidade populacional em vizinhos a seguir à Atalaia.
Em meados do
Século XVIII, a povoação de Belmonte já contava com 354
vizinhos ou fogos, ou seja cerca de 1416 habitantes.
Era a
seguinte a população existente em 1750:
|
Localidades |
Vizinhos |
Habitantes |
|
Belmonte |
354 |
1416 |
|
Inguias |
114 |
456 |
|
Maçainhas |
109 |
436 |
|
Colmeal |
50 |
200 |
|
Malpique |
30 |
120 |
|
Gaia |
29 |
116 |
|
Carv. Formoso |
22 |
88 |
A Povoação de
Caria não fazia parte, nesta altura, dos limites do Concelho
de Belmonte, tendo 286 vizinhos, correspondentes a 1144
habitantes.
Segundo
notícia de 1758, a população do Concelho de Belmonte, era na
sua quase totalidade constituída por camponeses.
Nessa altura
Belmonte era governado por juizes Ordinários e pela Câmara
Municipal, sem qualquer sujeição a outra terra. Não tendo
correio servia-se do correio da Covilhã e da Guarda.
Tinha feiras
cativas ( os feirantes pagavam impostos ) nos dias de St.º
António, de S. Bartolomeu e de S. Cornélio e feiras francas (
os feirantes não pagavam impostos ) em todas as
segundas-feiras de cada mês do ano.
Não havia
hospital em Belmonte. Havia uma misericórdia pobre, que teve
como antecessora a Irmandade do Salvador e no ano de 1600
anexou-se à Capela do Espírito Santo.
O Século XIX,
é marcado pela disputa de lugares políticos da Câmara e das
Juntas da Paróquia.
Com a reforma
administrativa de 1855, o Concelho de Belmonte composto até
então, pelas Freguesias de Maçainhas e Inguias é alargado ao
Concelho de Caria, autónomo da Covilhã desde 1644. Em 1947 a
freguesia de Belmonte é dividida, surgindo a nova Freguesia de
Colmeal da Torre e ficando o Concelho com cinco Freguesias,
situação que se manteve até hoje.
Já no século
XX, Belmonte vê de novo virar-se uma página na sua história,
com a diversificação da sua estrutura económica, nomeadamente
com a instalação da indústria da confecção no seu concelho.
Tendo o
Município de Belmonte permanecido essencialmente afecto ao
sector agrícola até ao início dos anos setenta, viu nesta
altura os sectores industrial e terceário ganharem mais e mais
importância.
Nasceram como
atrás referimos diversas indústrias de confecções, as quais
são presentemente um dos factores do sustento económico da
Vila de Belmonte e do seu Concelho, bem como dos Concelhos
limítrofes.
Para a Vila
de Belmonte e para a Vila de Caria, deslocam-se diariamente
cerca de 2.000 trabalhadores oriundos das Freguesia do
Município e dos Concelhos limítrofes ( Covilhã, Guarda, Fundão
e Sabugal ), aos quais é necessário dar melhores condições a
todos os níveis, para que aqui se radiquem, sem esquecer
ainda, a população existente à qual é necessário dar melhores
condições de vida e de bem estar social.