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O Fundão
situa-se na Cova da Beira, no sopé do Monte de S.Brás, um ramo
da Serra da Gardunha e é sede de concelho desde 1746.
O Fundão terá
tido origem num castro situado no Monte de S.Brás,
provavelmente datado do 1º milénio a.C.. Os vestígios
existentes demonstram que o castro terá sido um povoado
importante da região, estando situado num ponto
geo-estratégico fundamental para o domínio da Cova da Beira.
Com a chegada
dos romanos, assiste-se a uma tendência para trazer as
populações para a planície e é nesta altura que o castro terá
começado a entrar em declínio. A população terá começado a
fixar-se na zona mais fértil e amena onde hoje se situa o
Fundão, sendo que na zona da Rua das Quintãs, tradicionalmente
tida como a rua mais antiga do Fundão, foram descobertos
vestígios romanos nomeadamente cerâmicas domésticas e de
construção, mós e tijolos de coluna, indicadores de que aqui
teria existido uma villa romana. Dentro do
perímetro urbano do Fundão
também foram, no Séc. XIX
descobertas 2 aras votivas dedicadas a Vitória e a Trebaruna,
respectivamente, para além de mais recentemente, se ter também
descoberto um epitáfio: o Epitáfio de Nepos. Esta villa
estender-se-ia desde a actual Rua das Quintãs até ao sopé do
monte de S.Brás, zona onde aliás foram descobertos diversos
materiais entre os quais se destacam mós manuais, fragmentos
de terra sigillata, de tijoleira e dollia,
fragmentos de vasilhas, bordos de ollae, cerâmica de
vários tipos incluindo decorada e a de paredes finas, um
fragmento de lucerna, um peso de tear, um tijolo de coluna,
uma fornax e uma espada.
O povoamento
terá então evoluído em torno desta villa até à Idade Média,
altura em que terá sido reaproveitada para construção de uma
casa senhorial fortificada, da qual subsistem alguns merlões
com seteiras descobertos nos escombros de uma casa que ruiu em
2002. Esta casa poderá ter sido pertença de Martim Calvo, um
membro da baixa nobreza que surge referenciado em documento
régio envolvido num litígio de posse de terras.
As primeiras
referências ao nome de Fundão surgem em documentos de 1307, depois nas
Inquirições Dionisinas de 9 de Agosto de 1314 (descrevendo a existência de "32
casais nos lugares do Fundão e da Levada") e mais tarde
em 1320-21. Até então não
existem quaisquer referências a esse nome nem sequer no Foral
da Covilhã em 1186
Ao Fundão
terão chegado depois nos Sécs XV e XVI judeus em fuga de
Espanha devido ao Édito dos Reis Católicos de Espanha. Este
facto terá dado ao Fundão um importante impulso nas áreas
comerciais e financeiras deixando marca na localidade. Uma das
ruas emblemáticas do Fundão, a rua da Cale, poderá ter como
significado o termo hebraico que define um ponto de encontro,
onde os judeus se encontrariam para praticar o seu culto. A antiga sinagoga, uma marca evidente
dessa presença, só há relativamente pouco tempo terá sido demolida.
Uma prova
gritante da importância da comunidade judaica no Fundão
aconteceu quando em 22 de Novembro de 1580, um grupo de
populares ousou desafiar e agredir os representantes da
Inquisição que aqui haviam sido enviados com o intuito de
prenderem judeus e cristãos novos importantes. O último
judeu do Fundão faleceu em Dezembro de 2003. Tratava-se de
Moisés Abrantes, o "Joaquim Judeu", referenciado no Livro de
Ouro de Jerusalém, que deixou algumas obras escritas.
Entretanto e
com o passar
dos anos o centro cívico do Fundão começa a deslocar-se na
direcção da zona onde se encontra actualmente a Câmara
Municipal.
Por ordem do
Marquês de Pombal, é criada a Real Fábrica de Lanifícios e
para isso construído o edifício que actualmente alberga a
Câmara Municipal, embora com 2 pisos na sua traça original.
Actualmente, com 3 pisos, o edifício tem no seu topo o
campanário do arruinado Convento de Santo António, situado em
monte sobranceiro ao Fundão.
Em 23 de
Dezembro de 1746, é assinado pela Rainha D.Maria I o alvará
que cria o concelho do Fundão, que assim se desliga do
concelho da Covilhã. No ano seguinte, a 10 de Maio de 1747,
por carta régia de D.João V, é confirmada a criação do
concelho e na mesma ocasião, o Fundão é elevado a vila.
Deve-se esta elevação ao Desembargador José Vaz de Carvalho
pela sua acção junto da corte.
O Fundão viria finalmente a
ser elevado a cidade em 18 de Abril de 1988, juntamente com
Marinha Grande (Estremadura), Montemor-o-Novo (Alto Alentejo)
e Vila Real de Santo António (Algarve).
O topónimo "Fundão"
Quanto ao
topónimo "Fundão" muito se tem debatido acerca da sua origem
desde teorias que alegam que a palavra derivará do aumentativo
do termo latino Fundus (Herdade ou Quinta) ou Fundanus
(Quinteiro ou Lavrador) até outras que apresentam a sua
localização geográfica como prova evidente da sua origem.
Diz o Prof.
Dr. José Pedro Machado na página 192 da sua obra "Palavras
acerca de palavras", "Não se perdeu ainda a noção da origem do
topónimo, porque todos o empregam com o artigo: o Fundão, vou
ao Fundão, estive no Fundão. Isto justifica a etimologia
geralmente proposta e seguida: o substantivo fundão "local
situado no fundo de elevação; depressão, vale, cova,
precipício, que continua com bastante uso".