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  Gonçalo
 


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Gonçalo é uma das 56 freguesias do concelho da Guarda. Outrora, pertenceu ao concelho de Valhelhas, que recebeu foral de D. Sancho I em 1188, “Terras de Balhelhas”, e só a partir de 24 de Outubro de 1855 ficou a pertencer à Guarda. Aparece pela primeira vez nomeada como freguesia no século XVII, em carta de doação passada por Filipe III ao terceiro Marquês de Castelo Melhor e sétimo conde de Calheta, na ilha da Madeira. De qualquer forma, antes deste foral já existia o lugar de Gonçalo mas com o nome de Outeiro. Foi priorado do padroado real.

A sua actual designação é de origem germânica, proveniente de Gundisalvus que quer dizer «invulnerável ao combate». No entanto, é a Gonçalo Peres, mestre da ordem de Alcântara, e senhorio do termo de Valhelhas até ao tempo de D. João I, que directamente se atribui a origem do topónimo Gonçalo.

A sua famosa indústria dos cestos é consequência da forte ocupação romana. Aproveitando-se da verga do salgueiro, que nasce espontaneamente no rio Zêzere e seus afluentes, criou-se a indústria da cestaria que ao longo dos tempos a população defendeu como pôde. Daqui, a arte irradiou para todo o país, pois, como garantem os habitantes, pode encontrar-se um cesteiro gonçalense em qualquer cidade de Portugal. Gonçalo continua a ser uma vila rica em artesanato e em artistas que, com engenhosas mãos, constróem belas obras de artesanato. A prova está no lema do artesão: «cesteiro que faz um cesto faz um cento, dêem-lhe vime e tempo». Mas a tradição também se perde e, aos poucos, Gonçalo vai perdendo as características que lhe deram nome por todo o país.

A existência na ilha da Madeira de uma indústria similar deve-se, diz a história, ao facto de algum cesteiro de Gonçalo ter chegado à ilha em tempos idos e por lá ter espalhado a arte. Outra hipótese também se levanta: é provável que alguns súbditos do marquês de Castelo Melhor, Conde de Gonçalo e também da Calheta (Madeira) e Capitão-Donatário do Funchal, tenha transportado para além mar a arte dos “vergueiros”.

Gonçalo é uma freguesia recente pelo que a sua história não é povoada com grandes feitos e grandes obras. Sabe-se que os seus habitantes se opuseram em valorosa resistência aos romanos e outros povos invasores, pois a própria etnografia da região mostra e documenta a presença dos Mouros, sobretudo pela existência de lugares como o Castelo dos Mouros, a Casa da Moura e as lendas relacionadas com tesouros escondidos e lobisomens.

Não tem no seu termo monumentos dignos de grande referência e estudo. Existem, no entanto, algumas casas apalaçadas como a sede da GNR e a dos Bombeiros. A Igreja matriz é também digna de registo, com altar-mor em talha barroca. Abundam pelas ruelas de Gonçalo que compõem a parte mais antiga da vila interessantes detalhes de portas e janelas. Tem ainda capelas de variados estilos, como a do Calvário, da Misericórdia ou mesmo a do Espírito Santo. Outra das riquezas da localidade são as suas casas mais típicas com alpendres e varandas rústicas, de beleza simples mas encantadora. Entrar numa destas casas é desfrutar da humildade mas ao mesmo tempo da riqueza dos traços da ruralidade, que contrastam com a grandiosidade do génio desta gente trabalhadora das dobras da Serra da Estrela. Encontram-se ainda em Gonçalo muitas varandas em granito bem trabalhado e com grades em ferro forjado. Algumas destas varandas são autênticas obras de arte e simbolizam a condição económica e social de alguns moradores do século passado.

De gente ilustre tem Gonçalo que se orgulhar de José de Sousa Teles, nascido na freguesia em 1799. Foi presidente da Sociedade Farmacêutica Lusitana em 1835 e deixou mais de cinquenta monografias, livros, artigos e traduções. Perdeu os pais durante as invasões francesas e um parente frade educou-o ensinando-lhe a língua francesa. Mais tarde foi adoptado por um oficial inglês e levado para Lisboa onde aprendeu Botânica.

Gonçalo compreende lugares como o Castelo dos Mouros, a Fraga e as Quintas de Avereiro, da Cruz de Pedra, das Seixinhas e da Senhora da Misericórdia, entre outras.
Devido à sua importância e ao seu dinamismo no contexto da região, o Governo da República Portuguesa decidiu atribuir à aldeia de Gonçalo o estatuto de vila no dia 21 de Junho de 1995.

Fonte: Jornal "Terras da Beira" 20 de Junho de 2002
http://www.terrasdabeira.com

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