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ArqueoBeira - Recursos arqueológicos da Beira Interior. História das localidades  


  Vilar Maior
 


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A origem de Vilar Maior recua à Pré-História, sobretudo à Idade do Bronze, altura em que se terá instalado ali uma comunidade. Deste período, como atesta Marcos Osório, arqueólogo, num folheto informativo editado pela Câmara Municipal do Sabugal, já foram identificados vestígios cerâmicos e uma espada de cobre. Segundo o mesmo, na época romana o povoado ter-se-á desenvolvido sobretudo pela encosta sul. Durante o século XII, D. Afonso IX de Leão concede-lhe a primeira Carta de Povoamento. Mais tarde, em 1297, é integrada em território português pelo Tratado de Alcanizes. D. Dinis confirma o anterior foral e efectua obras de restauro na fortificação, construindo uma torre de menagem adossada à cidadela primitiva. Em 1510, D. Manuel atribui-lhe um novo foral, de forma a motivar o seu repovoamento. O concelho de Vilar Maior foi extinto em 1855, a par do de Sortelha.

Vilar Maior dispõe de um vasto património edificado, sendo que o castelo do século XIII é certamente a “imagem de marca” daquela localidade raiana. É na parte mais alta da aldeia que se encontram os monumentos mais importantes, das quais se destaca a Igreja Matriz, com um tecto em abóbada, toda construída em granito e dedicada a S. Pedro. O altar-mor é em talha dourada, vinda do convento de S. Francisco da Guarda. Em frente ao altar de Nossa Senhora do Castelo, imagem da roca, uma pia baptismal visigótica vinda das ruínas da Igreja de Santa Maria do Castelo. Do castelo, classificado como imóvel de interesse público, ainda são visíveis as três cinturas de muralhas, ainda que a segunda e terceira cintura tenham sido destruídas pelas guerras. A torre de menagem do castelo é uma das mais altas torres de Portugal.

São ainda pontos de interesse as sepulturas antropomórficas, as ruínas da já referida Igreja Românica de Santa Maria do Castelo, o Pelourinho, a prisão, os solares do condes de Tavarede e dos Quevedos Pessanha, várias capelas (como a Capela de S. Sebastião), o edifício do antigo forno comunitário. Além disso, o aglomerado encontra-se inserido numa região de «profunda riqueza natural», como descreve Marcos Osório. Localizada entre duas ribeiras, no ponto de confluência com o Côa, «possui uma qualidade paisagística excepcional». Este valor natural é complementado pela existência de uma mata de carvalhal negral classificada. Vilar Maior apresenta uma marcada presença judaica, sobretudo pelos sinais hebraicos, inscrições judaicas na igreja matriz e nas casas perto do Largo das Portas, e a sinagoga ostentando o seu imponente altar feito em pedra granítica alisada a cinzel, onde eram guardadas as Leis, ou Torá.

 

Fonte: Terras da Beira ed. 4 de Setembro de 2003
www.terrasdabeira.com

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