ArqueoBeira - Recursos arqueológicos da Beira Interior. Roteiro Arqueológico  

Castro de Sabugal Velho
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 Localização - Escavações - História - Lendas - Fontes

Localização

Este importante conjunto de ruínas situa-se no monte da Srª dos Prazeres, na Freguesia de Aldeia Velha, Concelho de Sabugal, a 1019m de altitude.O seu topónimo, Sabugal Velho, indicia à partida um datação anterior à da actual vila de Sabugal, situada a 22km deste local.

A sua localização permite um amplo domínio visual da região de Riba-Côa, estando protegido pelas serranias de ventos dominantes. Está inserido numa região xistosa rica em ferro, recurso esse que tem sido explorado desde a Antiguidade, isto se tivermos em conta os abundantes vestígios de escórias de ferro que se vão encontrando espalhados pela zona e também no próprio sítio arqueológico.
 

Escavações

Sendo pouco conhecido até ao final dos anos 90, acabou por despertar o interesse dos arqueólogos devido à sua configuração topográfica, vestígios de estruturas observáveis e materiais recolhidos, tendo acabado por ser alvo de sucessivas campanhas de escavações que, após um primeiro trabalho em 1990 dirigido pela Drª Helena Frade, se prolongaram de 1998 a 2001 já sob a direcção do Dr. Marcos Osório da Silva. O resultado acabou por trazer mais alguma luz à história deste local que constitui um bom e bem conservado exemplo de urbanismo primitivo.

No decurso das escavações foram encontrados vestígios de cronologia diversa. Não tendo sido possível confirmar relatos de que ali teriam sido encontrados machados de pedra polida e cerâmica de construção romana, foi no entanto descoberto um interessante espólio de outra cronologia. Assim, temos confirmação da descoberta de cerâmicas de pasta grosseira e fabrico manual, contas de colar, mós de vaivém, uma estela com fossetes, sendo todos estes vestígios inconfundivelmente pré-históricos. De datação posterior, foram encontrados fragmentos de cerâmica vidrada, fragmentos de cerâmicas medievais, fivelas de armação de bronze, mós circulares, ferraduras, um dinero leonês, entre outros. Presença constante é a de escória de ferro que aponta para uma intensa actividade metalúrgica.

Na campanha de 2000, foi ainda identificado perto deste local, uma outra estação arqueológica, situada 500m a Este, onde fontes populares relataram terem sido encontrados, em tempos em que o local agora inculto, era cultivado, diversos materiais e contas de vidro. Este local poderá corresponder a um assentamento pré-histórico anterior ou mesmo contemporâneo do sítio de Sabugal Velho.
 

Descrição e História

O assentamento possui uma planta oval, delimitada por uma muralha de xisto a toda a volta, sendo que, no lado mais vulnerável da localidade, o lado Oeste, existe ainda uma segunda muralha em terra. A técnica construtiva das estruturas intra-muralhas aponta para um aparelho pouco cuidado usando xisto sem reboco ou vedante, supondo-se ainda que o piso seria de terra batida ou cobertura vegetal visto não se terem encontrado vestígios de pavimento. Em relação aos telhados, não foi também encontrado qualquer vestígio dos mesmos. Em camadas inferiores, sob as construções quadrangulares, é ainda possível encontrar casas de planta circular, certamente pré-históricas. Aqui e ali, encontram-se fornos metalúrgicos.

Segundo alguns autores que se basearam na sua configuração e localização, para além de alguns materiais superficiais dispersos, este castro teria uma origem proto-histórica (MARQUES, 1936:186; BARROCO, 1978: 187; NUNES, 1989: 229). Por outro lado, a sua tipologia defensiva, a planta ortogonal das ruínas e a planta quadrangular das construções, levou a que fosse ali identificado uma fortificação romana por outros autores (CURADO, 1987: 4; OSÓRIO, 1998: 174). Sem certezas ainda quanto à ocupação romana do local, certo é que várias dúvidas se dissipam se atendermos aos objectos encontrados nas escavações.

Este local terá tido uma ocupação inicial pré-histórica (Idade do Ferro) tendo sido abandonado talvez aquando da chegada dos romanos. Mais tarde terá tido uma nova ocupação humana durante a Alta Idade Média. As próprias cerâmicas situam-se em períodos entre os Sécs. VI-VII e os Sécs. XI-XII. A própria muralha indicia uma readaptação sucessiva, para além da sobreposição das estruturas intra-muralhas, como atrás foi referido.

Este terá sido sem dúvida um centro urbano de grande importância para o controlo militar e administrativo da região de Riba-Côa durante a Alta Idade Média, até que começou a entrar em declínio. Acabaria mesmo por ser abandonado, tendo cedido o seu papel geoestratégico ao actual Sabugal.
 

Lendas

Segundo uma lenda, aqui teria vivido uma importante comunidade até os habitantes terem sido obrigados a fugir para junto do Rio Côa devido à ameaça de uma praga de formigas. Esta é uma lenda estranhamente comum a muitos outros sítios arqueológicos podendo e devendo suscitar várias interrogações. Terão sido efectivamente formigas? Terá sido uma história "importada" em data posterior de um local onde a mesma história é contada? Ou terá sido perante a ameaça de um exército que, como disse o ilustre Dr José Hermano Saraiva aquando da sua passagem por Marvão onde existe lenda idêntica, "eram tantos que ao longe pareciam formigas"?

Outra lenda conta-nos ainda que aqui se teria refugiado temporariamente um dos carrascos de Inês de Castro, fugido da ira vingativa de D.Pedro.
 

Fontes

- "Beira Interior, História e Património"- Actas das I Jornadas da Beira Interior, Guarda 2000
- Instituto Português de Arqueologia - www.ipa.min-cultura.pt
- Terras da Beira, Ed 26 de Outubro de 2000
- Aldeia Velha na Net - www.geocities.com/aldeiavelha

 

Monte da Srª dos Prazeres - ArqueoBeira 2003

Vista aérea do sítio de Sabugal Velho - www.geocities.com/aldeiavelha

Aspecto parcial das ruínas - ArqueoBeira 2003

Fivela de cinto em bronze - Câmara Municipal do Sabugal

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