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Inscrição de Perna do Galego
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Trata-se de uma inscrição que terá sido descoberta em 1880 na povoação de Perna do Galego, freguesia de Ermida, e que até há algum tempo atrás se encontrava desaparecida, encontrando-se actualmente num museu da Sertã.

Em 1960, Mário Saa em "As grandes vias da Lusitânia" refere esta inscrição afirmando que a mesma se encontraria guardada num "pequeno museu da Sertã".

A apresentação gráfica que acompanhava esta referência de Mário Saa sugere a metade direita de uma placa. No entanto, certo é que de nenhum dos dados disponíveis se pode concluir que se tratava de uma inscrição romana. A transcrição feita pelo Major Santos Ferreira da referida inscrição é, segundo os Drs. José d'Encarnação e Manuel Leitão, fantasista e improvável. A transcrição foi a seguinte:

[VT SINT] STATVAE
[C(onstantini).G]ALLI
[ROM(anae) COMP]AR REI NIL
[LIC]ET
[...] [MAXV]MO CON(n)S(ule) AE(dilibus)
[...] [ET] IVBA EGIT(anienses)
[VIRI NOTA]BIBLIORVM
[PROPTER] SVMMA[E]
[POTESTATIS] NOMINE[M]
[DE SEN(atus) SENT(entia)] STAT IT 

Já a leitura que foi apresentada era: "Não é permitido haver estátuas de Constantino Gallo, comparte no Império Romano. Sendo Cônsul (...) Máximo e edis (...) e Juba egitanienses dos mais notáveis. Em razão do prestígio do Poder Supremo. Por sentença do Senado assim está resolvido."

Esta transcrição e interpretação foi posta em causa por d'Encarnação e Leitão. Logo à partida haveria uma discrepância entre a transcrição e a interpretação relativamente à palavra VIRI. Esta palavra não fora interpretada, tendo sido confundida com VIR(orum) - dos varões. A última letra das linhas 1, 8 e 9 ou figuravam fora do campo epigráfico ou foram reconstituídas.

Tendo-se encontrado a inscrição, foi obviamente mais simples o seu estudo, tendo-se confirmado que se tratava de uma inscrição romana. O Dr Carlos Batata, publicou-a em 1998 na "Carta Arqueológica do Concelho da Sertã". Segundo ele, trata-se de uma inscrição funerária que a mãe de dois filhos de pais diferentes mandou fazer em honra deles. Os antropónimos são todos de indígenas:

STATVAE
ALLI
ARREINI.F
ET
MOCOSAE
LVBAECI. F
FILIORM
SVI
NOMIN(E)
STATIT

A interpretação proposta é "À imagem de Álio, filho de Arreino e de Mocosa, filha de Lubeco, seus filhos. Em seu nome mandou pôr".
 

 

 Bibliografia

    ENCARNAÇÃO, José d' e LEITÃO, Manuel - A propósito das inscrições de Sarzedas e Sertã, Conímbriga XXI pág 127 e 133, Coimbra 1982

    Carta Arqueológica do Concelho da Sertã - Câmara Municipal da Sertã, Sertã -1998; p 38-41.

 

Os nossos agradecimentos aos Drs Manuel Leitão, José d'Encarnação e Carlos Batata pelas informações fornecidas